Procedimentos da Fisioterapia Uroginecológica

A Fisioterapia Uroginecológica é um método não invasivo de tratamento, de baixo risco, pouco dispendioso e pode se constituir numa estratégia de tratamento efetiva e conservadora na recuperação das funções fisiológicas, causando uma melhora da musculatura do assoalho pélvico.

Comprovadamente, 80% das incontinências podem ser curadas ou melhoradas, e quanto mais precoce for o encaminhamento do paciente para a fisioterapia, maior será a chance de sucesso deste tratamento.

As técnicas para reabilitação do assoalho pélvico podem ser aplicadas em diversas disfunções. O tratamento fisioterapêutico é baseado em técnicas e recursos específicos, como cinesioterapia, eletroestimulação, biofeedback, terapia comportamental, entre outras, que ajudam no controle da bexiga e da musculatura do assoalho pélvico, proporcionando qualidade de vida e melhora da auto-estima.

Cinesioterapia: tanto do assoalho pélvico quanto do corpo como um todo (com exercícios para o fortalecimento dos músculos) é eficaz na prevenção e no tratamento de pacientes com incontinência urinária/anal, constipação intestinal, prolapsos de órgãos pélvicos, dor pélvica, após câncer ginecológico, para gestantes e no pós-parto, proporcionando aumento da força muscular, consciência corporal e promovendo melhora da qualidade de vida.

Biofeedback: através de uma sonda do aparelho que é introduzida via vaginal ou anorretal, o aparelho monitora a contração perineal realizada pela paciente. A paciente irá ver no aparelho a contração realizada pelos músculos do assoalho pélvico, e com o tempo e treinamento adequado, apresentará evolução.

Eletroestimulação: este aparelho estimula eletricamente os músculos a se contraírem. Totalmente indolor, o procedimento é indicado para as mulheres com flacidez ou pouca força perineal. É utilizado também para o tratamento de pacientes que apresentam sintomas de urgência miccional/fecal e dor pélvica.

Cones vaginais: também conhecidos como pesos vaginais, são dispositivos que introduzidos na vagina tonificam a musculatura perineal, dando uma resposta aos músculos do assoalho pélvico à medida que eles se contraem. O conjunto é composto por 5 cones, que tem cores diferentes (cada cor corresponde a um peso em gramas). Eles são usados após avaliação perineal para saber qual será o peso adequado para cada paciente. Conforme há evolução no tratamento, o cone colocado será cada vez mais pesado.

Massagem, alongamento e liberação miofascial: Massagem perineal, alongamento (não somente dos músculos do assoalho pélvico) e liberação miofascial ajudam a relaxar os músculos e a liberar pontos de tensão que possam gerar: dor durante o ato sexual para a mulher, na tentativa de ter penetração vaginal, durante a gestação, no preparo para o parto normal e no período pós-parto.

Terapia comportamental: Na terapia comportamental são feitas pequenas alterações no cotidiano da paciente de acordo com o estilo de vida e as tarefas do dia-a-dia. É realizado um planejamento com a necessidade de cada uma, tendo como objetivo aumentar suas capacidades, orientar e treinar a paciente, fazendo com que ela mantenha o controle sobre o seu corpo. Através de modificações comportamentais, o paciente é orientado, por exemplo, a controlar a ingestão de líquidos durante o dia e à noite; os intervalos entre as micções; diminuir o consumo de café, chá, refrigerante e álcool; melhorar a alimentação através do consumo de alimentos mais saudáveis e ricos em fibras, como frutas e verduras, melhorando assim também os hábitos intestinais. A terapia comportamental favorece os resultados de outras técnicas utilizadas para o tratamento.

Ginástica abdominal hipopressiva: são realizadas técnicas de respiração, aspiração abdominal e ainda se desejar, contração da musculatura pélvica. Essa ginástica ajuda não somente na consciência e no fortalecimento dos músculos (inclusive os perineais), mas também as mulheres que apresentam prolapsos de órgãos pélvicos (conhecido popularmente como “bola na vagina” e “bexiga caída”) e auxilia na recuperação da musculatura abdominal após o parto (principalmente se a mulher apresentar diástase – separação dos músculos abdominais).