Outras Especialidades da Fisioterapia Uroginecológica

Bexiga Neurogênica

Ocorre quando temos uma lesão nos centros reguladores da função miccional. O exame chamado Estudo Urodinâmico é utilizado para classificar o padrão miccional da bexiga neurogênica. Através dele pode-se determinar qual a melhor conduta terapêutica a ser escolhida.

As lesões neurológicas do tipo Acidente Vascular Encefálico (AVE), Doença de Parkinson, Esclerose Múltipla, Diabetes Mellitus, apresentam como padrão Urodinâmico “Hiperreflexia detrusora”, ou seja, leva a quadros de urgência miccional, aumento da frequência urinária, incontinência urinária, infecções de repetição e até mesmo o comprometimento do trato urinário superior (função renal).

Em lesões como traumatismo raquimedular (TRM), podemos ter uma grande variedade de comportamento da bexiga, uma vez que ele vai depender do nível da lesão. É muito comum, nestes casos um padrão de “Bexiga Flácida”, caracterizado por dificuldade de esvaziamento, que levam a retenção urinária e necessidade de cateterismo intermitente.

 
Como a fisioterapia pode ajudar?
A fisioterapia pode ajudar nesses casos através de melhoria do controle (contração e relaxamento) e força muscular do assoalho pélvico, para evitar a perda de gases ou fezes, diminuição das dores, e facilitar o processo evacuatório.

Dor Pélvica Crônica (DPC)

Dor pélvica crônica (DPC) é definida como uma dor localizada na região inferior do abdômen que persista por seis meses ou mais.

A dor pode se apresentar em região supra-púbica (região inferior do abdômen), região perineal (próxima do pênis, da vagina e do ânus), e/ou como dispareunia (dor durante a penetração do pênis na vagina, que pode ser na entrada ou profunda).

O diagnóstico pode ser difícil devido a múltiplos fatores envolvidos, entre eles podemos citar as causas: Ginecológicas (como a endometriose, miomas uterinos, aderências, varizes pélvicas), Gastrointestinal (síndrome cólon irritável, constipação intestinal), Urinária (cistite intersticial) e Músculo-esquelética (como uma compressão nervosa, fibromialgia, ou até mesmo traumas do parto).

As mulheres com DPC apresentam comumente desequilíbrio e falta de coordenação dos músculos do assoalho pélvico (que podem comprometer as funções miccionais, fecais e sexuais), trazendo consequências para a condição física, psicológica e comportamental.

Nos homens a dor pélvica/perineal pode se apresentar na região peniana ou centro do períneo (região entre a bolsa escrotal e o ânus) devido a alguma compressão nervosa local (por exemplo: compressão do nervo pudendo), compressões dos nervos devido à hérnia de disco lombar, ou a algum trauma ocorrido na região perineal.

 
Como a fisioterapia pode ajudar?
A Fisioterapia pode ajudar através de várias técnicas e recursos a controlar os sintomas (diminuindo-os ou extinguindo-os), reduzir o uso de analgésicos, e prevenir a deterioração das condições físicas e psíquicas, resgatando a integração social e profissional.

Incontinência Urinária

A incontinência urinária caracteriza-se pela perda involuntária de urina, sendo que os episódios podem ocorrer de diversas formas. Esta condição torna-se um inconveniente, tanto no aspecto social quanto higiênico, visto que nos casos mais graves, esta perda pode ocorrer pela simples vontade de urinar. Embora sua probabilidade de ocorrência aumente com a idade, existem outros fatores que podem provocar o seu aparecimento, podendo afetar pessoas em diversas faixas etárias e níveis sócio-econômicos.

Muitos não falam no assunto por acharem que seja algo natural do envelhecimento, que não existe tratamento, e acabam procurando auxílio apenas quando a disfunção já se encontra em grau avançado. Aproximadamente entre 15% e 30% da população acima de 60 anos apresenta algum grau de incontinência, sendo que nas mulheres a incidência é duas vezes maior que nos homens. A incidência da incontinência urinária na mulher aumenta com a idade, atingindo 25% após a menopausa.

Pessoas que sofrem desse distúrbio, especialmente se forem idosas, apresentam também problemas psicossociais, como a perda da autoestima, isolamento social e o constrangimento. Portanto, a incontinência urinária traz ao indivíduo importantes repercussões físicas, emocionais, econômicas, sexuais e sociais.

Os fatores de risco mais importantes para o desenvolvimento da incontinência urinária são os partos vaginais, cirurgias pélvicas extensas e outros traumas na região pélvica, assim como o avanço da idade, obesidade, menopausa, prolapsos, sedentarismo e tabagismo.

Apesar da incontinência urinária se apresentar na maioria das vezes em mulheres, ela também pode acometer os homens, principalmente após a cirurgia de próstata (prostatectomia) ou radioterapia.

O diagnóstico de incontinência urinária é essencialmente clínico, baseado numa história bem colhida, embora possa ser confirmado por meios auxiliares de diagnóstico (teste e exames, como o Estudo Urodinâmico).

Os sintomas predominantes e os que mais incomodam são que determinam a estratégia terapêutica. Portanto, o tratamento vai depender do tipo e das causas da incontinência urinária, podendo ser cirúrgico ou conservador.

 

Tipos de Incontinência Urinária


Incontinência Urinária de Esforço: Perda involuntária de urina ao esforço (ex: atividades esportivas, carregar peso), ao rir, espirrar ou tossir. É o tipo mais comum de IU, e sua prevalência nas mulheres pode variar de 15 a 56%, dependendo da população.

Incontinência Urinária de Urgência: Perda involuntária de urina associada à urgência (desejo súbito, repentino e urgente de urinar, que é difícil de adiar). A urgência surge frequentemente associada a gestos simples do dia-a-dia, como por exemplo: lavar a louça/roupa, tomar banho ou a introdução da chave na porta ao chegar a casa, e pode ser agravada pelo consumo excessivo de café, chá, álcool e frutas ácidas (apesar de poder ser provocada também por causas neurológicas). É uma das formas de apresentação da Síndrome da Bexiga Hiperativa, que caracteriza-se por uma urgência (uma vontade forte e inadiável de urinar), com ou sem incontinência urinária, geralmente associada à polaciúria (aumento do número de micções diárias) e a noctúria (aumento do número de micções noturnas).

Incontinência Urinária Mista: Perda involuntária de urina associada a combinação dos dois tipos de incontinência citadas acima (urgência e também ao esforço, ao rir, tossir ou espirrar).

Incontinência por transbordamento: ocorre quando a bexiga fica tão cheia que chega a transbordar. Pode ser causada pelo enfraquecimento do músculo da bexiga ou pela obstrução à saída de urina.

Como a fisioterapia pode ajudar?
A Fisioterapia pode ajudar nesses casos através de melhora do controle urinário e fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico, cessando, evitando ou diminuindo os episódios de perda urinária. O fortalecimento desses músculos é muito importante não só na gestão da incontinência urinária, mas também durante toda a vida.

Pós Operatório de Próstata


Apesar da incontinência urinária se apresentar na maioria das vezes em mulheres, ela também pode acometer os homens, principalmente após a cirurgia de próstata (pós-prostratectomia) ou radioterapia.

As perdas urinárias podem surgir a partir da retirada da sonda vesical de demora. A maioria das incontinências regressa espontaneamente em algumas semanas que se seguem após a cirurgia. É muito importante iniciar a reeducação do assoalho pélvico para estimular a aparelho esfincteriano o mais precoce possível, ou seja, após um mês do ato cirúrgico já se pode iniciar a fisioterapia para ajudar na melhora da incontinência.

A reeducação da incontinência masculina tem se modernizado em consequência do aumento do número de intervenções devido ao envelhecimento da população masculina. O objetivo da Fisioterapia é reduzir a frequência miccional aumentada, aumentar a força e resistência dos músculos do assoalho pélvico, facilitar o esvaziamento da bexiga, e reduzir os episódios de perda urinária.

A incontinência urinária também pode estar presente em pessoas que apresentam algum problema de ordem neurológica fazer link (como AVC, lesão medular, esclerose múltipla, doença de Parkinson), pois essas condições geralmente ocasionam alterações no funcionamento da bexiga, e devido a essas alterações a denominamos bexiga neurogênica.

Prolapso de Órgãos Pélvicos


O Prolapso de órgãos pélvicos, conhecido popularmente como “bexiga caída” ou até mesmo “bola na vagina”, é a exteriorização de órgãos pelo canal vaginal ou anal. Acontece devido ao enfraquecimento da musculatura do assoalho pélvico e dos ligamentos que tem o papel de sustentar esses órgãos. Os órgãos que geralmente são projetados para fora são bexiga, útero e reto.

Nos casos mais leves (grau I e II) ou no caso da paciente não poder realizar a cirurgia para correção do grau III, a fisioterapia tem grande atuação e ótimos resultados, pois ajuda no fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico para que o quadro do prolapso não se agrave.

Já nos casos mais graves (grau III e IV), a cirurgia é a melhor (e às vezes única) opção de tratamento, porém, a fisioterapia pode atuar no pós-operatório ajudando a manter os bons resultados obtidos com a cirurgia.